sexta-feira, 5 de julho de 2013

2013 - Caligrafia - Peça de chão - Papel picotado e madeira - Carpe Diem Arte e Pesquisa - Lisboa








Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm






Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm





 
Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm







Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm






Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm






Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm





 
Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm







       "©CDAP"
Caligrafia - Peça de chão - papel picotado/ madeira - 8,00X4,70 cm







                                                              Fotografias de Nuno Alexandre Ferreira









        Montagem




 
 
 
 



















 
 
 
 
 









                                                           
                                                             


                                                    "©CDAP"












Caligrafia

A celebração do Corpo de Cristo surgiu na Idade Média e consta de uma missa, procissão e adoração ao Santíssimo Sacramento. A tradição de fazer o tapete com folhas e flores advém de um acto de fé e de uma crença no divino.

Esta forma de arte popularizou-se por todo Portugal, inclusive nos Açores, permanecendo muito enraizada na ilha de São Miguel.

A forma como nas ruas se elaboravam os tapetes de flores, de carácter efémero, com a ajuda de grades em madeira e com recurso a formas geométricas básicas, serviriam de suporte modular para a realização de um padrão. Esta prática alargou-se a muitas famílias residentes que passaram esta arte de geração em geração.

Ao mesmo tempo, em outros locais do mundo, esta temática foi igualmente desenvolvida como forma de culto ao sagrado.
Nos Açores, os tapetes (com reminiscências mouriscas) entravam nas casas e eram utilizados para as pessoas se sentarem no chão, onde conversavam, realizavam algumas tarefas e oravam, assumindo um carácter que extravasava o elemento decorativo; eram, simultaneamente, mágicos e simbólicos, pois neles estavam contidos todos os desejos de felicidade.

Um tapete é uma linguagem, ou melhor, uma caligrafia muito especial com um vocabulário próprio que ganha corpo quando comunica connosco. Aparenta ter um coração a bater e bate com o poder que a força divina tem. Nos lugares/espaços, os tapetes são estendidos, abre-se um território e cria-se um lugar propício ao recolhimento e ao exercício do sonho.

Nesta instalação "Caligrafia", o facto de não existirem condicionalismos possibilita não só a sua deslocação para outro lugar, como permite criar novas composições consoante o espaço em que estiver montada. A peça define e constrói percursos, demarca territórios, tanto físicos como mentais. A nostalgia de um tempo passado, em contraponto com a contemporaneidade, permite viajar e ficcionar, dando dimensão, fluidez de movimento, jogando com o aspecto da efemeridade e fragilidade características desta peça.

O projecto "Caligrafia" é uma instalação de carácter semi-efémero na qual será utilizado o papel picotado (confetis), ao invés de flores, e estruturas em madeira que servirão de módulos para a construção do tapete.





Calligraphy

The celebration of Christ's body emerged in the Middle Ages and consists of a mass, procession and the adoration of the Blessed Sacrament. The tradition of making the carpet with leaves and flowers comes from an act of faith and the belief in the divine.

This form of art became popular throughout Portugal, including the Azores, while remaining firmly rooted in the island of São Miguel.
The way the ephemeral carpets of flowers were elaborated in the streets, with the help of wooden crates and the use of basic geometric shapes, serve as a modular support for the realization of a pattern. This practice was kept by many households that passed this art from generation to generation.

At the same time, in other parts of the world, this theme was also developed as a form of worship to the divine.
In the Azores, the carpets (with Moorish reminiscences) entered the houses and were used for people to sit on the floor. There, they talked, prayed and performed some tasks, assuming a character that surpassed the decorative element. They were both magical and symbolical, containing all the wishes of happiness.

A carpet is a language, or rather a very special calligraphy with a vocabulary which is formed while communicating with us. It appears to have a beating heart and strikes with the power that the divine has. In places / spaces, carpets are extended, a territory opens up and a place leading to meditation and the exercise of the dream is created.

In this installation "Calligraphy", the fact that there are no constraints not only allows it to move to another place, it also makes possible to create new compositions depending on the space in which it is mounted. The piece sets and builds pathways, demarcates territories, both physical and mental. The nostalgia of a past time, in contrast to the contemporaneity, allows traveling and fiction, giving depth, fluidity of movement, playing with the aspect of transience and fragility, distinctive marks of this piece.

The project "Calligraphy" is an installation of semi-ephemeral character, in which the perforated paper (confetti) is used, instead of flowers, as well as wooden structures that serve as modules for the construction of the carpet.