segunda-feira, 3 de novembro de 2014

TERRA NOSTRA - Galeria Fonseca Macedo - Outubro 2014 - São Miguel, Açores


 A Tecedeira- papel recortado - dimensões variáveis-2014




 
Trama de Luz #3 - papel recortado - 65X50 cm- 2014





Capacho/Doormat- papel recortado- 15 peças - 65X50 cm - 2014

 

 



 


Capacho/Doormat- Papel recortado- 15 peças - 65X50 cm- 2014








 A Tecedeira- papel recortado - dimensões variáveis- 2014
 


 



 A Tecedeira- papel recortado - dimensões variáveis- 2014







 A Tecedeira- papel recortado - dimensões variáveis- 2014








 A Tecedeira- papel recortado - dimensões variáveis- 2014





 
 
 











A Tecedeira - papel recortado - dimensões variáveis- 2014
 
 

 
 
 









terra nostra, de catarina branco
 
DE 30 de Outubro 2014 a 10 de Janeiro 2015








Ao mesmo tempo que decorria o trabalho no campo, comemorava-se a apanha do milho rei, que consistia na procura, por entre as espigas amarelas, do milho de espiga vermelha. Outrora, a festa era vista como um momento de encontro e animação, com cantares, música e bailaricos, em que a população das freguesias participava.
 
A arte da fabricação dos capachos perdurou até parte do séc. XX.
 
No entanto, o aparecimento e os progressos feitos pela indústria fabril, juntamente com a forte emigração para os Estados Unidos de dezenas de tecedeiras, fizeram com que estas frágeis peças fossem desaparecendo. Os novos costumes e exigências da sociedade contemporânea, fizeram com que já não se justificasse a existência da anteriormente descrita “Indústria caseira”.
 
Para que não desapareça no tempo, a arte dos capachos será novamente recuperada e reinterpretada numa linguagem mais contemporânea, privilegiando não só a componente técnica mas também a componente simbólica. O desafio consiste em descobrir novas trajectórias com o auxílio de aspetos históricos e ficcionais, possibilitando novos significados e variações da forma. Apesar da feitura dos capachos ser um gesto repetitivo, os prazeres intelectual, emotivo e ético não serão prejudicados pelo acto em si. Este trabalho ilustra uma ética e um modo de vida celebrados maioritariamente por mulheres (as tecedeiras) que se juntavam num momento não só de convívio, mas também de partilha e de passagem de um saber ancestral.
 
A celebração destes momentos aparece como resposta a uma necessidade de contacto com o restante universo. Para além disso, é uma procura de sintonia com o sagrado, uma resposta ao “ terror do isolamento”, o temor às intempéries. A falta de comunicação e de partilha com o resto do mundo, com outros seres e astros, resultavam num estado de angústia e inquietude.
Então, como forma de ultrapassar este estado, as mulheres açorianas construíam os capachos, estabelecendo, fio a fio, a união com o sobrenatural.
 
 
Hoje em dia o capacho pode ser entendido como gerador de formas, receptáculo de várias categorias de conhecimento e, por isso, objecto de estudo de muitas disciplinas. Pode ser entendido sob um ponto de vista antropológico, sociológico, histórico, psicológico, etc. Deste modo, o artista, transforma-o num objecto de arte, dando um novo sentido e inovando. As variações poderão ser infinitas! É de salientar que boa parte da arte contemporânea nasceu da observação da arte primitiva. No entanto, o nosso olhar, para além de cultural, é complexo e tem o poder de se multiplicar, ampliando o seu saber, com  abertura, permitindo estabelecer diálogos com outros mundos e civilizações.
 
 
Catarina Branco